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Desejo e perigo

 

*Por Eliana de Morais - Colaboradora do A Hora - ONLINE, produtora de eventos, baiana, moradora de Salvador, ex publicitária, turismóloga, tem um curso de eventos, professora da Pós-Graduação em gestão e organização de eventos das Faculdades Olga Mettig e arrisca textos.

Blog: http://elianademorais.blog.uol.com.br/

Site: www.cursodeeventos.com.br

 

Vá entender a mente dos distribuidores de cinema. Enquanto "A Partida" está em um único cinema, "Desejo e Perigo" saiu de cartaz rapidamente (!!). Um filme excelente. Também um dos melhores que já vi. Para variar, li a sinopse e esqueci. Chegando lá, depois dos ingressos comprados, ficamos sabemos que tinha guerra e com quase três horas de duração. Irritação e receio. Melhor relaxar. Até porque, Inês lembrou que leu que tinha sexo explícito. O que não é garantia de nada mas, pelo menos anima. E... surpresa! O filme não é exatamente sobre guerra e é tão bom que não dá para notar que é tão longo. É um filme político e uma história de amor. Bem daquelas que eu gosto com o amor nascendo e vivendo do sexo. Além do mais, proibido e perigoso. Tudo é muito intenso e as cenas de sexo realmente são sensacionais, reais e eróticas. Nem sempre sexo explícito no cinema se traduz em erotismo mas nesse, sim. Também é tenso do começo ao fim, com cenas de violência fortes. Tudo tem a ver. O desejo e a vontade. O desejo não obedecendo a razão, seguindo um caminho próprio, independente. A questão toda é: podemos amar quem odiamos? Yes, we can.

Um filme para se ver uma segunda vez, várias vezes, pois tem segredos ocultos. Bem produzido e fotografado, é de uma beleza imensa. Muito lindo.

Sinopse: Wang Jiazhi (Wei Tang) é uma jovem chinesa que entra na faculdade durante o período de ocupação japonesa, na 2ª Guerra Mundial. Lá ela participa de um grupo de teatro patriótico, tornando-se rapidamente a artista principal. Entretanto os planos do grupo são mais ambiciosos. Eles decidem assassinar o sr. Yee (Tony Leung Chiu Wai), um colaborador do lado japonês. Wang, então, se transforma em Mak, a fictícia esposa de um mercador. Sua função é se tornar amante do sr. Yee, para facilitar a ação do grupo.

A FESTA DA MENINA MORTA

Novamente, não sabia muito sobre o filme. Sabia apenas que é o primeiro filme de Matheus Nachtergaele, um ótimo ator, amigo de uma amiga. Logo no início, fiquei de má vontade. Cismei com os atores. Todos os que não gosto, com os quais não simpatizo: Daniel Oliveira, Jackson Antunes, Dira Paes, etc. Atores globais. Não é que acho que não são bons atores. Simpatia pessoal mesmo. Nem conheço nenhum deles e não vejo novelas desde a Força de um Desejo que adorava. Adoro novela de época.

Voltando ao filme, cismei também com as cenas soltas no começo. Talvez mal acostumada com o cinema brasileiro atual com comédias e documentários (por falar nisso, quem aguenta mais tanto documentário? E com o nosso dinheiro! Vai ter até um sobre Pelé. Quem ainda não conhece a vida de Pelé de trás pra frente? Que falta de criatividade e que oportunismo. Enchi. Vou ver o de Caetano e chega!) tudo muito leve, fácil e divertido, cheguei a odiar o filme no comecinho. Mas, dando o desconto de que é o primeiro trabalho como diretor, o filme é maravilhoso. Não é fácil. Incomoda. Incomoda porque não conhecemos o Brasil, porque a realidade nos confins do nosso país nos é desconhecida, incomoda tanta ignorância, o abandono das pessoas, da Amazônia, de um Brasil profundo por mais clichê que possa parecer essa expressão, incomoda a fé cega, incomoda as crenças populares, tão distantes de nós, urbanos e supostamente bem informados. Incomoda o filme não ser óbvio, não falar de pobreza enfim, ser um filme brasileiro diferente.

Adorei. Gostei muito mesmo. O cinema não existe apenas para divertir e contar histórias. Existe também para refletir. É um filme impressionante. Uma história contada com carinho, singeleza, verdade, humanidade e sofrimento. As cenas soltas são alertas visuais de um mundo que não conhecemos e que vai acabar.

Daniel Oliveira está espetacular. Poucas vezes vi um processo tão convincente de transformação de um ator num personagem. Todos os atores estão excelentes mas o trabalho de Daniel Oliveira é perfeito. Confesso que estava esperando um novo Cazuza. Errei feio. Desculpe, parabéns e obrigada.

Gostei também de no final, ao som da música do filme, cantada lindamente pelo próprio Daniel Oliveira, os 'créditos' não ter esquecido de absolutamente ninguém. Muito bom. 'Créditos' enorme mas com um sentimento de gratidão. Achei muito bonito. Adoro gratidão. Adoro quem tem gratidão.

Sinopse: Todos os anos, há duas décadas, a cidade celebra a festa da menina morta, quando a cidade recebe peregrinos que desejam obter a benção de um jovem santo, conhecido como Santinho, que recebeu esses poderes após o suicídio da mãe, quando recebeu em suas mãos, da boca de um cachorro, os trapos do vestido de uma menina desaparecida que todos os anos fala pela boca do santo em transe.