Algemem os Ministros do Supremo
*Por
Emanuel de Oliveira Costa Jr.
Advogado militante, consultor jurídico, professor, especialista
em Direito Público, especializando em Docência Superior,
sócio fundador do escritório Costa & Sousa Advogados
Associados S/S.
Todos nós acompanhamos o nascimento da súmula vinculante
número 11 do STF. O que seria a súmula vinculante?
Em outras palavras é uma determinação interna
do Judiciário que proíbe todo os restante do Judiciário
de pensar diferente, ou seja, que engessa desde o juiz singular
até os Tribunais Superiores.
Mas não sejamos tão pessimistas,
como diria Chesterton, “o otimista é aquele que procura
seus olhos , e um pessimista é alguém que procura
os seus pés”. Então vejamos a súmula
11, aquela das algemas, da melhor forma possível.
Não venham me dizer, por favor que sou contra a decisão
de não algemar naquelas mesmas situações
que o Supremo decidiu. Sou plenamente a favor. Algemas não
servem para incentivar um péssimo hábito de nós
brasileiro de querer humilhar quem ainda não teve sequer
direito a defesa. Algemas para quem não precisa, nada mais
é do que pirotecnia que a Polícia Federal sempre
soube fazer com muita inteligência e, podemos dizer, até
fidalguia. Eu não sou contra nada disso, ao contrário
da maioria. Sou contra é a súmula vinculante. Dá
pra entender isso?
É o seguinte, vamos aos fatos. Se vivêssemos em um
país em que as pessoas e principalmente as entidades tivessem
o mínimo de entendimento do que é o relativismo,
eu seria plenamente a favor da súmula vinculante e até
faria campanha em praça pública. O problema é
que as mesmas entidades que querem vincular suas decisões,
ou seja, querem transformá-las em perenes, querem também
fazer com que as decisões seja vistas de uma forma mais
ampla e relativa. Será que a loucura humana não
consegue perceber que esse é um paradoxo incomunicável
ente si, se é que isso pode existir!??
Súmulas vinculantes começaram a ser emitidas como
se fosse projeto de lei no Congresso, isto é, por quilo.
Quem sabe daqui a pouco teremos o que o STF quer: um computador
no lugar do juiz singular. Imagina só: você lança
seu caso concreto no computador (juiz) e ele já te dá
a sentença na hora de acordo com as dezenas de súmulas
vinculantes que vão aparecendo. Seria o fim da morosidade
do judiciário, e também o fim das liberdades individuais,
que maravilha.
Se conseguirmos entender que a liberdade nada mais é do
que o reconhecimento de limites cada vez mais estreitos, ai sim
vamos conseguir viver em uma sociedade cada vez mais livre. Se
chegarmos à conclusão de que para termos a liberdade
de trafegar por uma rodovia é preciso que ela tenha meio-fios
para limitar o desenvolvimento do carro, e só assim ele
chegará onde quer, ai sim seremos livres para ir e vir.
Enquanto estivermos limitados a dizeres metódicos do STF
de como devemos nos ater e nos deter, sem pensar que uma sombra
impeditiva de liberdades venha a nos assolar, as coisas não
vão funcionar.
Por onde será que anda aquela velha intenção
de que o STJ era o nosso Tribunal Superior capaz de unificar o
pensamento jurídico? Eu respondo: na lata do lixo. A súmula
vinculante simplesmente desfaz a capacidade unificadora mas livre,
e transforma em uma liberdade vigiada e mascarada, em que juizes
tem que decidir conforme o que lhes foi determinado.
Mais uma vez informo que não sou contra a mesmice judiciária
e até sou muito a favor do inalterado. Uma sociedade que
muda de mais seu pensamento é uma sociedade sem identidade.
Só não considero que possamos trabalhar no sentido
de restrições no lugar de formação
e de entendimentos em unidade. Rasgadamente esse é o fim
mas não é meio. Maquiavel acabou trazendo para nossa
sociedade atual, especialmente a gramscista do PT de Lula, o pensamento
de que não importam os meios mas sim os fins. E, mais que
isso, “os melhores fins somos nós é que sabemos”.
O leitor pode se perguntar o porque de um título como esse.
Poderia me escrever dizendo: você só que IBOPE. Não
nego que quero, até o Lula quer, porque eu, mero mortal
não quereria? Não vou ser hipócrita a ponto
de dizer que não, assim como não vou ser hipócrita
a ponto de concordar que os Ministros do Supremo andam tão
relativistas que as súmulas vinculantes são uma
arma em suas mãos, o que os torna dignos de algemas bem
apertadas.
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