NÃO TENHO DINHEIRO, SÓ CHEQUE
*Por Daniel Funes é colaborador do A Hora - ONLINE, jornalismo pela Cásper Líbero e pós graduado em História pela PUC-SP, escritor, mantém seus contos, crônicas e artigos no site www.danielfun.com.br, na seção Aconteceu Comigo. E-mail:daniel.funes@hotmail.com
Mais que a violência ou a corrupção, as dívidas estão hoje entre os piores males que afetam o brasileiro. Segundo pesquisa da AMADIV, entidade que eu criei na semana passada, hoje já somos 130 milhões de endividados. No hall das pessoas que nunca têm dinheiro, só cheque, se destacam os usuários de cartão de crédito, uma forma de pagamento traiçoeira, que rapidamente consome a vítima.
Em suas pesquisas no Money Research Desease Institute, a estudiosa e médica com especialização em economia, Mirtes Valadeiros, o cartão age como o câncer. Enquanto é consumida, a vitima não sente nenhuma dor ou sintoma. Quando chega a fatura, descobre que já está comprometida e não há mais nada a fazer. No caso de doentes ainda não terminais, aqueles que ainda conseguem pagar o mínimo, existe uma solução. Para estes, foi criada a Credclin, primeira e única clínica do Brasil especializada no tratamento de dependentes de cartnao. Alguns dos pacientes que já passaram pela clínica conseguiram resultados excelentes. É o caso da ex-consumista, ex-mulher e ex-clientes de banco Zoraide Zoroastro. Durante dois anos Zoraide foi dependente de cartão. Agora já está se recuperando e só usa cartãao de débito. Para auxiliar ainda mais seus pacientes a Credclin não aceita pagamento com cartão de crédito e nem cheque, Só dinheiro vivo.
Estas medidas drásticas têm fundamento, pois os casos de vício são às vezes tão dramáticos, que alguns usuários chegam a fazer promessas para largar o vício. E quando atingem a graca, querem pagar com cartão de crédito.
Embora o consumismo se torne muitas vezes incontrolável, existe um grau mais elevado e quase escandaloso de endividamento. Neste estágio, sem cheque, sem dinheiro, sem crédito e sem cartão de crédito, o consumista acaba se desesperando. perde a razão e tenta fazer compras com notas do banco imobiliário.
Uma destas vítimas, que não quis se identificar, foi pega tentando comprar um vestido com notas do jogo. Ao ser levada para a delegacia, seu desespero era tanto, que tentou subornar o delegando com moedas de chocolate de 1 real. Como ele era diabético, ela acabou sendo detida. Pagou sua fiança dias depois, com cheque pré-datado do marido.
Conto estes casos para mostrar que você não está sozinho e que um cheque devolvido não se compara ao drama de ter que parcelar uma conta de restaurante no cartão de crédito. Um aviso de protesto não é nada perto da possibilidade de ter que vender o carro financiado em 36 meses para pagar 10 aluguéis atrasados. Portanto, se você é um endividado, existe um consolo, existe uma luz no fim do túnel e, muito melhor, existem histórias bem piores qiue as suas.
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