*(Por Flavia Europeu - colaboradora do jornal A Hora - Psicóloga, Terapeuta sexual, associada da Sbrash(Sociedade Brasileira de Sexualidade Humana),Terapeuta anti- tabagismo, Distúrbios alimentares e Obesidade ( 62)3515-1120) - Email:flaviaeuropeu@uol.com.br
O desejo sexual acentuado tem sido referido, em muitos casos, na forma pejorativa, muitas vezes confundindo-se com distúrbio de desejo sexual hiperativo, ou recebendo denominações de adição ou comportamento sexual compulsivo. Vamos diferenciar e apontar formas patológicas.
O Comportamento Sexual Compulsivo afeta de 3% a 6% da população, predominantemente homens, e
costuma ter início no final da adolescência ou no início da terceira década, sendo sempre de natureza crônica, com períodos episódicos de maior agudização.
A "ninfomania", termo descritivo que significa um desejo excessivo ou patológico pelo coito, em uma mulher, e o "Don Juanismo" ou satirismo, o equivalente para o homem, são citados, no DSM-III, no capítulo das "disfunções psicossexuais". Trata-se de uma condição na qual há "sofrimento acerca de um padrão de relacionamentos sexuais repetidos, envolvendo uma sucessão de amantes, sentidos pelo indivíduo como coisas a serem usadas". No DSM-III-R, aparece a expressão "adição não-parafílica", como parte das "disfunções sexuais sem outra especificação", e a descrição é a mesma que a citada no DSM-III. O CID-10 classifica o distúrbio como "impulso sexual excessivo", incluindo nele a ninfomania. Considera ainda que nenhum critério diagnóstico foi tentado para essa categoria e recomenda aos pesquisadores que a estudam, que proponham seus próprios critérios.

Pode-se, ainda, delinear diversos subtipos, que seriam, segundo Coleman (1992): a) sexo compulsivo e múltiplos parceiros; b) fixação compulsiva na obtenção de um parceiro inatingível; c) masturbação compulsiva, d) compulsão por múltiplos relacionamentos afetivos; e) sexo compulsivo com um único parceiro. As dependências de formas anônimas de sexo, como o sexo por telefone e a pornografia, também entrariam no rol das dependências sexuais não-parafílicas na visão de outros autores (Kafka, 1991). Porém, para Stoller (1975) e Money (1986) trata-se, inclusive, de um subtipo de parafilia. Kafka (1991) propõe um critério no qual a performance sexual total individual conste de sete ou mais orgasmos por semana, por um período mínimo de doze semanas consecutivas, após os quinze anos de idade.
Os sintomas hipersexuais têm sido comparados a uma espécie de adicção, mais precisamente, como uma “adicção sexual não-parafílica”. Outros autores têm usado termos como compulsivo, impulsivo e aditivo para descrever esses transtornos. 
Carnes (2000) estabelece um ciclo em quatro etapas para o Comportamento Sexual Compulsivo;
- A primeira etapa é a preocupação, na qual a pessoa apresenta um afeto semelhante ao do transe, estando completamente absorta em pensamentos de sexo e partindo para busca obsessiva de estimulação sexual.
- A segunda etapa é uma ritualização, na qual a pessoa desenvolve uma rotina que leva ao comportamento sexual. O ritual serve para intensificar a excitação.
- A terceira etapa é da gratificação sexual, mediante o ato sexual em si, onde a pessoa se sente incapaz de controlar seu desejo.
- A quarta etapa, o desespero, vem após o Comportamento Sexual Compulsivo e se caracteriza por uma sensação de impotência e desânimo.
Carnes observa que as pessoas com Comportamento Sexual Compulsivo gastam uma quantidade enorme de energia emocional para manter secretos seus comportamentos e inclinações sexuais, levando, paradoxalmente, ao isolamento social e sexual.
O que pressupõe e que permite chamar de comportamento sexual compulsivo depende:
- ter pensamentos ou atos compulsivos recorrentes;
- ter pensamentos obsessivos - idéias, imagens ou impulsos que entram na mente do indivíduo repetidamente de uma forma estereotipada, são angustiantes (violentos, repugnantes ou obscenos), sem sentido e a pessoa não consegue resistir a eles. São reconhecidos como próprios e pessoais.
- ter atos ou rituais - comportamentos estereotipados, que se repetem muitas vezes, não são agradáveis e são vistos como preventivos de algo improvável.
- estas manifestações ocorrem em conjunto com ansiedade e depressão, não necessariamente auto-reconhecidas.